Quadrim Entrevista - O Bestiário Particular de Parzifal

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Venha sonhar conosco e amigos imaginários, #TropaQuadrimcast… No QUADRIM ENTREVISTA de hoje conversamos novamente com um dos melhores quadrinistas do país, que está buscando financiamento pro seu O BESTIÁRIO PARTICULAR DE PARZIFAL… Conversamos com HIRO KAWAHARA!

Quadrim: Hiro, agradecemos por nos conceder esta entrevista. Como já conversamos com você na época do seu projeto “Yowiya”, perguntamos: como foi o processo pós-financiamento do Catarse?
Hiro: Foi um período muito estranho. A campanha do Catarse havia sido um sucesso, e estava produzindo o livro quando tive um enfarto muito grave, eu lembro que estava fazendo a página 64 quando fui para o hospital. Não saí totalmente ileso, perdi 30% do meu coração, mas estava vivo.

Depois que retornei, tudo era feito de maneira muito cuidadosa, muito devagar, para não sobrecarregar o coração. O processo de finalização e envio foi comprometido e de certa forma, conturbado. Se esse processo é desgastante naturalmente, imagine com uma limitação médica grave. Se não fosse por isso, todo o processo teria sido muito tranquilo.

Quadrim: E do projeto “Yowiya”, quais lições você tirou para fazer o projeto “O Bestiário Particular de Parzifal” ser bem sucedido?
Hiro: Yowiya foi meu segundo quadrinho. Eu acho que ainda estou aprendendo os processos, descobrindo maneiras de trabalhar de maneira mais segura, principalmente em relação ao roteiro. Acabei Yowiya de maneira muito emocional. Como eu estava na esteira de “Maravilhoso”, uma história engraçada sem pé nem cabeça, queria muito contar uma história mais séria.

Yowiya já era uma história obscura, mas depois da história do enfarto, eu tive muita raiva e fiz final muito mais carregado e pesado, que destoa de todo o resto da história. Foi proposital, e pessoalmente gosto do resultado. Mas hoje não faria um final daqueles. Na verdade, estava programado para ter outro final. O fato de não saber se estaria vivo nos próximos meses fez com que eu “chutasse o balde com o desfecho da história. No final, acho que a historia ficou um pouco complexa para poucas páginas. Aprendi a respirar mais a história, dar tempos e ritmos certos, o que tentei aplicar em Parzifal. E, obviamente, sem misturar tanto o lado emocional pessoal no envolvimento da historia.

Outra coisa que Yowiya me ensinou foi ter mais disciplina para produzir quadrinhos. Meu método de escrever roteiro não é muito convencional, e isso leva mais tempo que o normal. Mas em Parzifal, por causa da experiencia que tive em Yowiya, foi mais tranquilo. Não mais rápido, mas muito mais tranquilizante.

Quadrim: Na descrição do projeto você diz que “O Bestiário Particular de Parzifal” é uma história delicada e melancólica. Como a ideia da história surgiu em sua mente?
Hiro: Já sabia que a próxima história que faria seria algo relacionado ao universo infantil. Só que não. A história de Parzifal no início era bem diferente. Nasceu praticamente em dezembro, queria contar uma história de fantasia sob o ponto de vista de uma criança. Porém, a primeira versão ficou muito depressiva e pesada. Envolvia a morte de diversas crianças, falta de esperança…no final refleti e pensei que não queria passar essa energia na história novamente, estaria retomando a mesma pegada de Yowiya.

Deletei a historia inicial e retomei tudo do começo. Mantive as criaturas fantásticas de outra dimensão (na versão inicial também eram amigos imaginários, mas com uma pegada muito mais macabra), mantive as crianças, mas como na primeira versão a mãe praticamente não aparecia na história, decidi colocar a figura como o personagem principal. Isso abriu um leque novo de possibilidades de construção do personagem, as motivações e a personalidade dela seriam muito peculiares, porque a palavra “responsabilidade” e “culpa” seriam os pontuadores na história.

Quando estava quebrando a cabeça para criar um título para o livro, percebi que, na verdade, a história da personagem principal lembrava a lenda do cavaleiro Percival, história essa muito utilizada como arquétipo psicológicos, eu mesmo tive muitas sessões utilizando a lenda dele como ferramenta na terapia. Simplesmente adicionei as metáforas do cavaleiro na história e dei o nome Parzifal para uma mulher. É nessas horas que a história ganha vida e ela se cria sozinha.

Quadrim: Você também diz que neste quadrinho, brincando em deixar os desenhos “sem contornos”. Quais as dificuldades de se fazer uma obra assim?
Hiro: As maiores dificuldades são os detalhes. Eu optei por não fazer contornos para deixar um clima mais subjetivo. As cenas tem muita luz, mesmo nos momentos mais obscuros. Mas também há muita indefinição, muita sujeira, muito ruído, para dar uma sensação de confusão entre o que é realidade e o que é fantasia. Os contornos deixam tudo muito mais claro, o que eu queria evitar. E os acabamentos não tem muitos valores de sombras e luz, os desenhos não tem muito volume, apenas texturas e luminosidade, isso facilitou na produção, pois o tempo para fazer esse estilo é menor, porem tive que quebrar a cabeça para ser mais sintético e trabalhar com menos detalhes e mais sensação do conjunto como um todo.

E trabalhar com a linguagem da cor como elemento principal não é fácil, nesse ponto o contorno ajuda porque a cor se torna, de certa forma, auxiliar.
Minha tentação era de fazer cada quadrinho como se fosse uma ilustração, vício de quem veio dessa carreira. Desse jeito, acabaria o livro em dois ou três anos, e acredito que do jeito que está é mais do que satisfatório.

Quadrim: Nesse novo projeto você também tem uma recompensa que permite ao colaborador fazer o seu curso (que você ministra há 5 anos). Como é esse seu lado “professor”?
Hiro: Dar aulas é minha segunda grande paixão depois do desenho. No começo, dei aulas para garantir um plano B na minha carreira, não tinha muita segurança nem em mim como professor, nem no conteúdo do curso. Com o tempo, descobri que tenho uma facilidade para dar aulas e o conteúdo do curso, de desenho intuitivo, não só deu certo como ele precisa agora ser expandido.

E dar aulas também me obriga a desenhar mais, testar exercícios, corrigir meus desenhos continuamente…depois que comecei a dar aulas, notei que meus desenhos melhoraram consideravelmente. E, fora isso, tem a relação com meus alunos, que não tem preço. Vários deles estão fazendo o curso mais de uma vez, eles criaram uma relação mutual de comprometimento e amizade. Sinto que o esforço tem eco do outro lado, e isso é reconfortante. Pretendo continuar dando aulas mais tempo do que pretendo desenhar.

Quadrim: Após o fim da captação, com o projeto já financiado, quais os planos futuros? Outros títulos, uma sequência…?
Hiro: Agora quero dedicar ainda mais nos quadrinhos e trabalhos autorais. Terminando Parzifal, já está na fila um projeto que farei a quatro mãos. Pela primeira vez irei desenhar uma história escrita por um roteirista. Acho que irei aprender muito, pois ele é um roteirista de primeiro time, e, de quebra, me dar mais disciplina e métodos novos. Não posso falar quem é ou sobre a história, mas esperamos lançar entre julho e agosto de 2018. E farei outra história também, estou entre fazer uma outra história envolvendo as personagens principais de Yowiya (Kipky e Manon), que contará a história do assassino de Manon e, de quebra, responder algumas pontas que ficaram soltas.

Aliás, um adendo, graças ao “surto” do final de Yowiya, ficou muito claro pra mim a força que as garotas da história ganharam. Tanto que planejo contar toda a história das duas em três volumes no total.

Tinha planos para fazer o segundo volume de Kipky e Manon em 2018, mas estou escrevendo uma outra história muito boa, que envolve a Jornada do Herói e mães. Talvez eu dê prioridade para essa no segundo semestre do ano que vem.

Quadrim: Quem já apoiou, o que pode esperar do livro?
Hiro: Uma história muito bonita e muito simples, uma história sobre maternidade e ser adulto. Podem esperar um livro muito mais sério e coeso. Não sera um livro infantil, mas crianças poderão ler sem problemas.

Quadrim: Pra finalizar, que recado você daria aos leitores que possam estar indecisos se devem investir no projeto?
Hiro: Acredito que muitos podem se identificar com pelo menos algum personagem do livro, com a dificuldade de se tornar adulto, das referências que você precisa ter na infância para que isso aconteça e da vontade de fugir de tudo isso. Todo adulto passa por isso várias vezes durante a vida. Se você gosta de histórias mais suaves, sem explosões, sexismo e mutantes, mas com um toque de fantasia, então você vai gostar dessa aqui, com certeza.

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